14 museus sem certificado de segurança contra incêndios

RJ tem 14 museus ligados a instituto brasileiro sem certificado de segurança contra incêndios

Em todo o Brasil, apenas dois museus possuem o documento, segundo a GloboNews. 


No Estado do Rio de Janeiro, 14 museus ligados ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), não possuem o certificado do Corpo de Bombeiros que atesta que os prédios possuem segurança em casos de incêndio. O Rio assistiu ao incêndio do Museu Nacional em 2 de setembro de 2018, que resultou na destruição de parte do acervo histórico da museologia brasileira.
O Museu Histórico Nacional, no centro do Rio, o Museu da República, no Catete, na Zona Sul do Rio, o Museu de Arte Sacra, em Cabo Frio, e o Museu Imperial, em Petrópolis, são alguns que estão sem a documentação necessária que comprova a segurança no caso de um edifício ser tomado pelas chamas.
O investimento aumentou em vários museus após o incêndio em setembro, como conta Maurício Vicente Ferreira Júnior, diretor do Museu Imperial.
"Nós abrimos três processos licitatórios justamente para cumprir as questões preliminares, aquilo que antecede a obtenção da certificação junto ao corpo de bombeiros. Eu diria que o projeto, aquele que entende a subunidade do museu, é algo que será obtido ainda esse ano, 2019. Já o laudo para o Palácio Imperial de Petrópolis, nós acreditamos que, do ano de 2020 para 2021, possamos obter essa certificação em definitivo", explicou ele.

Fogo destrói o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista — Foto: Reprodução/TV Globo

Nacionalmente, a situação é tão ou mais grave, segundo levantamento exclusivo da GloboNews via lei de Acesso à Informação. Veja os estados com mais museus sem o certificado.
Nacionalmente, a situação é tão ou mais grave, segundo levantamento exclusivo da GloboNews via lei de Acesso à Informação. Veja a lista dos museus do Ibram sem o certificado:

  • 1) Museu da Abolição - Recife (PE)
  • 2) Museu de Arqueologia / Socioambiental de Itaipu - Niterói (RJ)

  • 3) Museu de Arte Religiosa e Tradicional - Cabo Frio (RJ)
  • 4) Museu de Arte Sacra da Boa Morte - Goiás (GO)
  • 5) Museu de Arte Sacra de Paraty - Paraty (RJ)
  • 6) Museu das Bandeiras - Goiás (GO)
  • 7) Museu Casa de Benjamin Constant - Rio de Janeiro (RJ)
  • 8) Museu Casa da Hera - Vassouras (RJ)
  • 9) Museu Casa Histórica de Alcântara - Alcântara (MA)
  • 10) Museu Casa da Princesa (Casa Setecentista) - Pilar de Goiás (GO)
  • 11) Museu da Chácara do Céu - Rio de Janeiro (RJ)
  • 12) Museu do Açude - Rio de Janeiro (RJ)
  • 13) Museu do Diamante - Diamantina (MG)
  • 14) Museu Forte Defensor Perpétuo - Paraty (RJ)
  • 15) Museu Histórico Nacional - Rio de Janeiro (RJ)
  • 16) Museu Imperial - Petrópolis (RJ)
  • 17) Museu da Inconfidência - Ouro Preto (MG)
  • 18) Museu das Missões - São Miguel das Missões (RS)
  • 19) Museu Nacional de Belas Artes - Rio de Janeiro (RJ)
  • 20) Museu do Ouro - Casa de Borba Gato - Sabará (MG)
  • 21) Museu Regional de Caeté - Caeté (MG)
  • 22) Museu Regional Casa dos Ottoni - Serro (MG)
  • 23) Museu Regional de São João del-Rei (MG)
  • 24) Museu da República – Rio de Janeiro (RJ)

  • 25) Palácio Rio Negro – Petrópolis (RJ)
  • 26) Museu Victor Meirelles - Florianópolis (SC)
  • 27) Museu Villa-Lobos - Rio de Janeiro (RJ)

  • No Brasil, dos 29 museus ligados ao Ibram, só dois possuem o certificado: o museu Lasar Segall, em São Paulo, e o Museu Solar Monjardim, em Vitória. A situação é a mesma encontrada no dia 14 de setembro do ano passado, também através da lei de acesso à informação. Segundo a GloboNews, de lá pra cá, nenhum museu administrado pelo ibram conseguiu obter o certificado.


MUitos museus, inclusive o Museu Histórico Nacional, afirmam que estão aguardando a emissão do certificado pelo Corpo de Bombeiros ou que não podem fazer obras em vários edifícios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan).
Em nota, o Museu da República afirmou que, em julho do ano passado, a direção contratou uma empresa pra avaliar a eventual necessidade de obras pra adequação à exigências dos bombeiros. Caso a reforma tenha que ser feita, ela precisa ser aprovada pelo Iphan, para só então ser executada ser executada e passar novamente pelo crivo dos bombeiros.
O Instituto Brasileiro De Museus afirmou em nota que faz investimentos em adequações nas estruturas. Destacou, ainda, que todos os museus administrados pelo ibram dispõem de programas e equipamentos básicos de segurança, e afirmou que os que ainda não têm o auto de vistoria dos bombeiros estão elaborando ou executando projetos de prevenção e combate a incêndios, para obter a certificação.

Especialista avalia: 'Decepção'

Gerardo Portela, especialista em gerenciamento de risco, afirmou que sempre deveria haver alternativas para dar segurança aos clientes dos museus no Brasil. Ele avaliou a descoberta como uma decepção, quase seis meses após o incêndio do Museu Nacional.
"Mesmo que existam dificuldades relacionadas à preservação do próprio prédio, a engenharia sempre tem alguma solução que permita que pelo menos alguma coisa se avançasse em termos de instituições que conseguissem esse tipo de autorização de bombeiros", explicou ele.

Fonte: Globo

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